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02/03/2013

Caso Fernando Iskierski e Abner Elias Taborda Cologi



Fernando Iskierski

Abner Elias Taborda Cologi


No dia 02/12/2010 os soldados do Exército Abner Elias Cologi Taborda e Fernando Iskiersi foram assassinados na Av. Comendador Franco (Avenida das Torres) no Bairro Uberaba, em Curitiba, após saírem da casa noturna Rancho Brasil e outra vítima, o amigo Nei da Silva Pinheiro que estava junto ficou gravemente ferido. Os três jovens eram amigos de longa data e tinham a mesma idade, 19 anos. Segundo a polícia, após uma discussão no estacionamento do Rancho Brasil o Gol branco das vítimas foi perseguido por um veículo Punto vermelho. A perseguição os alcançou na Avenida Comendador Franco (Avenida das Torres) perto da Curva do Tomate, o veiculo das vítimas foi metralhado com pelo menos 15 tiros. A arma usada foi uma pistola 9MM, de uso exclusivo das Forças Armadas e da Polícia Federal. Fernando e Abner morreram na hora com tiros na cabeça e pescoço e o amigo Nei foi levado ao pronto socorro com tiros no tórax e braço, apesar de estar em estado grave, sobreviveu.





Após metralhar o carro dos rapazes, os assassinos fugiram em direção a São José dos Pinhais. Mas, - ainda de acordo com os policiais - as imagens das câmeras internas e externas (estacionamento) do Rancho Brasil não mostraram qualquer tipo de briga ou conflito. - "O guardador de carros da churrascaria ao lado ouviu a discussão, que teria ocorrido na rua e não no estacionamento”. Além disto, há imagens das câmeras da churrascaria e também da empresa Climasul, que fica perto da Curva do Tomate, que podem ter captado imagens que ajudem nas investigações. A empresa Climasul fica exatamente onde ocorreu o crimes. Da casa noturna até o local do crime, existem dois radares que podem ter registrado os veículos e as placas.

Além de servirem como militares lotados no 5.º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado (Gacap), no Quartel do Boqueirão, Abner e Fernando eram atletas, se destacavam em competições, não tinham vícios, nem inimigos.


Boletim de Ocorrência da PM

Conforme descrito em lavratura da PM em B.O - Boletim de Ocorrência que:

*Transcrição Parcial*

Que na madrugada do dia dois de dezembro de 2010, quinta-feira, por volta de 4h30m, um veículo marca Gol de Cor Branca, com placas de São José dos Pinhais, levava em seu interior, três rapazes.
Que, aproximadamente cinco horas, os três amigos que seguiam no Gol branco, pouco antes de chegarem ao Viaduto do Tomate, foram atingidos por disparos. Os tiros teriam partido de dentro de um veículo Punto Vermelho, que perseguiu as vítimas. Após o atentado, este carro teria fugido...
Sendo posteriormente apurado, que dos três ocupantes do veículo alvejado, dois eram militares do exercito, às vítimas fatais: Abner Elias Cologi Taborda, (filho de Edson Jose Taborda e Sueli Cologi Taborda) e Fernando Iskiersi, (filho de Carlos e  Lidia Iskierski) e o condutor do veículo, um civil identificado como Nei da Silva Pinheiro.
Ainda conforme descrito consta que, após um provável desentendimento entre as vítimas com os suspeitos, pode ter provocado o crime.


Investigações

No início, o caso estava sendo investigado pela equipe da Delegada titular Drª. Vanessa Alice, na Delegacia Especializada de Homicídios de Curitiba/PR (DH), que evitou ao máximo prestar informações à imprensa e mídias em geral.


No *"*"*dia 17/02/2011 conforme os links abaixo, os noticiários da capital Curitiba - (PR) , anunciaram que o suspeito dos assassinatos dos rapazes, havia sido localizado através de peças de um Punto vermelho. As notícias destacavam que foi através das peças de um veículo que ligavam dois crimes envolvendo freqüentadores do Rancho Brasil. Que o suspeito teria sido preso, no caso ”tal Sérgio” de 20 anos.

*"*"*
http://www.metropolejornal.com.br/detalhes_noticias.php?codnoticia=1812
*"*"


A Delegacia de Homicídios disse na ocasião, ser ele o "tal Sérgio" o principal suspeito de matar os militares Abner Elias Cologi Taborda e Fernando Iskierski e que as câmeras de segurança filmaram o Punto vermelho do atirador, que a polícia descobriu que a placa havia sido adulterada. 

- “Apuramos que, após o crime, esse carro foi batido e remontado, numa oficina em São José dos Pinhais. O veículo não foi localizado, mas, descobrimos que algumas peças foram colocadas no Punto usado no homicídio ocorrido no estacionamento do Rancho Brasil”, explicou a delegada ******Adendo Nota 02 Drª. Maritza Haisi. 

Segundo Crime

Já o Segundo Crime, aconteceu na madrugada de 27 de janeiro de 2011 no estacionamento do Rancho Brasil e vitimou o motoboy Guilherme Henrique Dreer de 21 anos, que foi baleado e não suportou os ferimentos, faleceu no dia 02 de fevereiro no Pronto Socorro Cajuru. Dois dias após a morte de Guilherme o suspeito de matar o jovem se apresentou à polícia juntamente com o seu irmão e advogado, o suspeito não teve sua identidade divulgada pela polícia. Na Delegacia de Homicídios (DH) foi ouvido pela delegada Aline Manzatto. De acordo com as informações dos investigadores da DH - Curitiba, o irmão também se entregou a polícia, porque durante as investigações, constatou-se a possibilidade de co-autoria. - "Os dois Casos, embora tenham sido crimes semelhantes, não tinham ligação", segundo a polícia.

Desde esta ultima notícia o caso esta parado, segundo as informações dadas a família do Fernando, o tal suspeito nada tinha a ver com o caso dos rapazes. O inquérito esta parado na Delegacia de Homicídios de Curitiba, na metade do mês de maio de 2011 a mãe do Fernando esteve na Delegacia procurando informações, em conversa com o Delegado Dr. Jaime (delegado responsável pelo caso), o mesmo informou que não tinha conhecimento do caso e que não havia lido autos do inquérito. Desde esta data a mãe do Fernando tem ido a delegacia com frequencia e nada tem resolvido. Na terça feira dia 26/02/2013 ela voltou a delegacia e falou com o Delegado Dr. Jaime da Luz que informou a ela ainda não ter lido o processo/inquérito, o mesmo se comprometeu com ela a ler e dar uma resposta do andamento até o dia seguinte, mas isso não ocorreu.


Para uma mãe é difícil perder um filho assim, assassinado friamente e pior ainda é não ter os assassinos identificados e presos. Que acontece: Descaso? Falta de vontade da policia? Queremos respostas! Afinal fazem 2 anos e 2 meses do ocorrido. Minha Pergunta é o que precisamos fazer para que as nossas autoridades investiguem e deem uma resposta a esta mãe. Uma coisa é certa se eles não se importam e esqueceram, nós não vamos deixar cair no esquecimento!


Elizabeth Metynoski

01/03/2013

O caso Mário Gabardo - Crônica de um assassinato ainda sem solução - Capítulo 1 - O Crime




datas arte final 175x300 O caso Mário Gabardo   Crônica de um assassinato ainda sem solução   Capítulo Primeiro   O Crime

O jovem empresário Mário Sérgio Gabardo, aos 20 anos, não tinha motivo para desconfiar que vivia suas últimas horas, ao entardecer do dia 29 de setembro de 2005, quando saiu da empresa em que era sócio com seu pai, a Transportadora Gabardo Ltda, por volta das 18h30. Mário Sérgio tinha dois compromissos para a noite dessa quinta-feira de primavera. A Transportadora Gabardo fica localizada no bairro Anchieta, próximo ao Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre. Mário Sérgio saiu dali e se dirigiu para a PUC, localizada na Avenida Ipiranga, onde deveria prestar prova no curso de Direito. Ele estava cursando o 8º. semestre. Concluída a prova, o jovem diretor de frota de caminhões cegonheiros da TransGabardo dirigiu-se para a cidade de Canoas, situada na região metropolitana de Porto Alegre, colada a capital gaúcha, onde morava. Mário Sérgio tinha por hábito, nas noites de quinta-feiras, realizar um churrasco com amigos, em uma casa particular na rua Tomé de Souza no.258, em Canoas, sempre que sua agenda lhe permitia. Na noite de 29 de setembro de 2005, por volta das 20h50m, o jovem empresário Mário Sérgio, já havia deixado o seu automóvel Peugeot 307, cor cinza, automático, ano 2005, placas IXX 0307, no estacionamento do Shopping Bourbon Zaffari Canoas. Nesse momento Mário falava ao telefone celular com o Anderson, um amigo pessoal. Mário disse a Anderson que estava no supermercado e que fazia as compras para o churrasco daquela quinta-feira. 

A foto mostra o Shopping Bourboun Zaffari Canoas – Av. Getúlio Vargas, 5765 – Canoas

Conforme a nota fiscal da Companhia Zaffari Comércio e Indústria, encontrada posteriormente entre seus pertences no carro Peugeot 307, Mário Sérgio passou pelo caixa do supermercado às 21h18m. A nota fiscal discrimina as suas compras: coxa de frango, costela bovina, costela de ovino, lingüiça toscana, pão, alho, carvão, cerveja e refrigerantes. A atendente de nome Tatiane realizou a operação de registro dessas compras, encerrando exatamente às 21h20m. Mário Sérgio gastou apenas dois minutos para passar as suas compras no caixa do supermercado e realizar o pagamento no valor de R$ 66,77. Depois ele se desloca para o estacionamento do shopping. Descarrega as compras do carrinho do supermercado e as coloca no porta-malas de seu automóvel Peugeot 307. Mário Sérgio ficou entre 20h50 e 21h30 na área do Shopping Bourbon Zaffari Canoas. Ele estava a poucos minutos de sua morte. A seguir o empresário Mário Sérgio tomou o rumo da casa do amigo, que mora na rua Tomé de Souza, no bairro Niterói, onde seria realizado o churrasco. A distância percorrida entre o Shopping Bourbon Zaffari Canoas e a casa de número 258 da rua Tomé de Souza, possui em linha reta, não mais do que dois quilômetros. Mário Sérgio, como morador de Canoas sabia que a cidade era dividida pela BR 116. Com toda a certeza escolheu um caminho seguro entre os dois pontos (shopping e o local do churrasco) para trafegar com seu Peugeot 307 naquele horário da noite.
Do shopping chegou à rua Humaitá e a seguir ingressou na rua Venâncio Aires, percorrendo-a no sentido centro-bairro. Pela rua Venâncio Aires, o empresário Mário Sérgio, em seu automóvel Peugeot 307, passou por cinco quadras até alcançar a esquina da rua Tomé de Souza. Mário quase na esquina da rua Venâncio Aires com a rua Tomé de Souza, exatamente às 21h37m38,  faz uma ligação de seu telefone celular para o aparelho celular de seu amigo Anderson que está no local da confraternização. A ligação durou 30 segundos, tempo suficiente para que o amigo Anderson soubesse de que ele estava nas imediações da casa de no. 258 da rua Tomé de Souza e que fosse aberto o portão da garagem de acesso ao interior do imóvel, onde ingressaria com seu carro (como sempre fazia rotineiramente nas quinta-feiras a noite).  O Peugeot 307 parou na esquina da rua Venâncio Aires com a rua Tomé de Souza. O empresário Mário Sérgio deu o sinal de que ingressaria com seu carro a sua esquerda, na rua Tomé de Souza.

Rua Venâncio Aires esquina Tomé de Souza e o restaurante Galeteria Piatto Bello

Ao realizar a manobra com o Peugeot 307, dobrando a esquerda na Tomé de Souza, Mário Sérgio cumprimentou o manobrista da Galeteria Piatto Bello, que estava postado a frente dos veículos estacionados na área do restaurante. Esse lhe retribuiu com um aceno de mão. O funcionário da Piatto Bello viu o Peugeot 307 de Mário dobrar na rua Tomé de Souza. Também viu que atrás do Peugeot 307 vinha um automóvel Ford KA, cor prata, o qual realizou a mesma manobra. Até essa altura, Mário Sérgio não dava indicativo de se sentir ameaçado ou perseguido, tanto que acenou para o manobrista do restaurante Piatto Bello. Mário estava a poucos metros da casa particular onde se realizaria a confraternização habitual com seu grupo de amigos.

Rua Tomé de Souza em sua extensão, uma árvore a esquerda e logo a seguir o portão da garagem da casa 258

Mário Sérgio, dirigindo o seu Peugeot 307 trafega mais alguns metros na rua Tomé de Souza, não mais de 30 metros, e vira o carro para a esquerda, após uma árvore, embicando-o em direção ao portão da casa de número 258, para ingressar na área interna do imóvel, onde se encontraria com os amigos para o churrasco semanal habitual.
 

Na foto o portão de entrada da casa 258, com um jardim à frente

Dentro de seu carro, Mário aguardou por algumas frações de segundos para que fosse aberto o portão da casa de no.258. Nesse momento, encosta em perpendicular ao carro de Mário e paralelo a rua, de forma repentina, com luzes apagadas, por meio de uma manobra brusca, o automóvel Ford KA prata, que o estava perseguindo, sem que tivesse desconfiado do que estava prestes a acontecer. O veículo Ford KA prata parou na contra mão da rua Tomé de Souza, junto à calçada do lado esquerdo, muito próximo do Peugeot 307 de Mário Sérgio. Do automóvel Ford Ka prata, saltou pela porta dianteira do lado direito (a do carona), um homem de 1m80 de altura, com uma arma na mão direita, gritando para que Mário Sérgio saísse do carro. “Desce do carro, desce do carro”, gritava o assassino. Ato imediato, segurando a arma do crime, agora com as duas mãos, como se fosse um experiente atirador e executor, o assassino dispara dois tiros. Um desses tiros disparados realiza a trajetória de “fora para dentro do Peugeot 307, da esquerda para a direita, de trás para a frente”, vindo a destroçar o vidro da porta lateral esquerda traseira.
 

Peugeot 307 com o vidro da porta lateral esquerda traseira fraturado pelo projétil

Esse projétil penetra no corpo de Mário Sérgio, na “região escapular esquerda, acaba lacerando o lobo superior do pulmão esquerdo, ventrículo esquerdo, e se aloja no interior do saco pericárdico” (tecido fibroso que envolve o coração) do jovem empresário. Gravemente ferido, o empresário Mário Sérgio consegue, inacreditavelmente, engatar uma marcha a ré no seu Peugeot 307, e a seguir acelera o veículo para a frente, percorrendo alguns metros pela rua Tomé de Souza e entrando à esquerda na rua Conde de Porto Alegre, no sentido do centro da cidade de Canoas.  

Rua Tomé de Souza com a Conde de Porto Alegre; Mário Sérgio virou à esquerda com seu Peugeot 307

O automóvel Ford KA prata, de luzes apagadas, já com o assassino dentro do veículo, sai correndo atrás do Peugeot 307 de Mário Sérgio, fazendo o mesmo percurso, perseguindo-o a uma pequena distância. Os dois carros percorrem duas quadras da rua Conde de Porto Alegre, sentido bairro-centro.

 
Rua Conde de Porto Alegre

Ainda na rua Conde de Porto Alegre, esquina com a rua da Figueira (segunda rua paralela com a rua Tomé de Souza), uma testemunha declarou ter ouvido três disparos de arma de fogo e a seguir novamente mais tiros. Essa mesma testemunha recorda de um barulho de uma colisão de carro.
 

Na foto as árvores à direita, local onde ocorreu a batida do Peugeot 307 na subida da rua Conde de Porto Alegre

O Peugeot 307 acabou subindo a calçada e colidindo com uma árvore na rua Conde de Porto Alegre, quase esquina com a rua da Figueira. Mário Sérgio dentro do Peugeot 307 estava afivelado ao seu cinto de segurança, desmaiado, sem qualquer reação.

A frente do Peugeot 307 com a batida do lado frontal esquerdo

Consta que o veículo Ford KA prata, parou junto ao Peugeot 307, e dele desceu o assassino, o qual se aproximou de Mário Sérgio, observou sua vítima por alguns instantes, e então voltou para o carro. A seguir se colocaram em fuga. O veículo Ford KA prata, onde estava o assassino e seu comparsa motorista, desceu a rua Conde de Porto Alegre de ré, com as luzes apagadas, tendo entrado também de ré na rua FAB (Força Aérea Brasileira), uma abaixo da rua da Figueira. Em seguida, engataram marcha a frente pela mesma rua FAB e saíram, duas quadras depois, na avenida Getúlio Vargas que margeia a BR 116 (estrada federal que atravessa a cidade e a corta em duas), sentido para o centro de Canoas. Imediatamente juntaram-se vários moradores em volta do Peugeot 307, cuja atenção foi despertada pelos tiros, pela freada de pneus e pelo barulho da colisão com a árvore. Passaram essas pessoas a serem testemunhas dos fatos ali ocorridos. Uma delas pediu socorro por telefone, chegaram brigada militar, uma ambulância e policiais civis. O jovem empresário Mário Sérgio Gabardo foi transferido nessa ambulância para o Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas, e lá declarado morto.
Quase quatro anos após este assassinato, com todas as características de um crime sob encomenda a um profissional, continua hoje ainda insolúvel, apesar de ter sido investigado pela Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Sul e pela Polícia Federal. O site “Cartel Brasileiro” (www.cartelbrasileiro.com) obteve cópias integrais dos dois inquéritos e vai revelar para seus leitores todos os meandros deste caso, e também proporcionar o conhecimento de seus documentos que não estão mais sob sigilo da Justiça gaúcha. É uma história para arrepiar os leitores. No portal “Cartel Brasileiro”, a cada dois dias, a partir dessa quarta-feira de cinzas, será publicado parte dessa história.

O caso Mário Gabardo - Crônica de um assassinato ainda sem solução - Capítulo 2 – Registro da ocorrência do crime

 
                     Processos do inquérito policial e da Polícia Federal totalizam 7 volumes

Na 2ª Delegacia de Polícia Civil de Canoas, órgão da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul, às 22h54min de 29 de setembro de 2005, Giovane Pereira Torrada comunicou à autoridade policial o crime contra o jovem empresário Mário Sérgio Gabardo. Serviu de testemunha Wilmar Afonso Walker. Essa comunicação de ocorrência na Polícia Civil levou o número 5021/05 e se deu exatamente 41 minutos após a declaração da morte de Mário Sérgio Gabardo. No Boletim de Ocorrência (B.O.) consta que a morte desse jovem teria ocorrida às 23h. O carro do empresário assassinado, um Peugeot 307, foi apreendido pelo comunicante Giovane Pereira Torrada e imediatamente recolhido para o depósito Arnoldo, bairro Fátima, em Canoas, às 23 horas de 29/09/2005, conforme Ficha de Ordem de Serviço número 15517 da empresa Arnoldo Guinchos. O automóvel acidentado, peça importante para a investigação de um crime de morte, foi removido quase que imediatamente para um grande estacionamento oficial de carros, sem nenhum cuidado, sem que tivesse sido preservado o local para a perícia que o caso exigia. Uma brutal falha. Mário Sérgio Gabardo foi declarado morto às 22h15min de 29 de setembro de 2005, no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas, Rio Grande do Sul, conforme a Certidão de Óbito número 154335, de 30/09/2005, do Ofício do Registro Civil das Pessoas Naturais da 4ª. Zona de Porto Alegre (RS), tendo por causa morte, violenta hemorragia interna consecutiva a ferimento no pulmão esquerdo e coração por projétil de arma de fogo.

  Portaria instaura o inquérito policial

No dia seguinte ao crime, ou seja, na data de 30 de setembro de 2005, ao amanhecer do dia, no começo do expediente na 2ª Delegacia de Polícia Civil, foi formalmente instaurado o inquérito policial, pelo delegado Marcínio Tavares Neto, “tomando-se as providências cabíveis à elucidação dos fatos”. Ainda nesse dia de 30 de setembro de 2005, uma sexta-feira, o escrivão Marcelo Edmundo Dias, da Polícia Civil, lotado na 2ª Delegacia de Canoas, faz o relatório de investigações referente à Comunicação de Ocorrência número 5021/05. Disse Marcelo Edmundo Dias no seu relatório: que “acerca da preservação do local do crime”, esse não havia sido resguardado e que o veículo utilizado pela vítima havia sido removido do local, o que “impossibilitou a solicitação do comparecimento do pessoal do IGP (Instituto Geral de Perícias)”. É inacreditável! Alguém deu a ordem para a remoção do automóvel de Mário Sérgio do local do seu assassinato, menos de 45 minutos após a declaração de sua morte, e no dia seguinte a Polícia Civil diz em relatório que isso “impossibilitou a solicitação do comparecimento do pessoal do IGP”? Em outras palavras, as autoridades policiais na noite do crime contra Mário Sérgio Gabardo deixaram de preservar o local onde o jovem empresário foi baleado (rua Tomé de Souza em frente ao no. 258), o trajeto em que se deu a perseguição do veículo da vítima pelo veículo dos criminosos (rua Tomé de Souza e rua Conde de Porto Alegre) e que se ouviu três disparos de arma de fogo e outros mais a seguir (ditos por testemunha), e por derradeiro o local da batida do Peugeot 307 contra a árvore na rua Conde de Porto Alegre esquina com a rua da Figueira e a rota da fuga pela rua FAB (Força Aérea Brasileira). Uma monumental falha, inaceitável para a elucidação desse crime. O delegado Marcínio Tavares Neto requereu a seguir ao diretor da 2ª Delegacia de Polícia da Região Metropolitana, nesse mesmo dia 30 de setembro de 2005, a “ampla divulgação a todas as delegacias da região metropolitana do envolvimento de um automóvel Ford KA, de cor prata, usado pelos delinqüentes” e que seja informado imediatamente “quaisquer ocorrências envolvendo veículo com essas características”. A essa altura, o carro dos assassinos do jovem Mário Sérgio Gabardo já deveria estar muito distante do local do crime. Como é muito comum nos inquéritos na Polícia Civil do Rio Grande do Sul, para alguém tem de sobrar o trabalho de campo.




         Relatório da inspetora Lorena


Sobrou para a inspetora Lorena M. Lauermann Klain, da 2ª Delegacia de Polícia, em Canoas. Foi ela quem foi examinar a cena do crime, com o objetivo de colher indícios que auxiliassem na elucidação do atentado que culminou com o assassinato de Mário Sérgio Gabardo. Quem trabalha nesses inquéritos, em geral, são inspetores e inspetoras, são eles os que mais conhecem dos inquéritos e dos crimes investigados. Lorena Klain empreendeu diligências nas proximidades do local onde ocorreu o acidente e identificou cinco testemunhas. Ela ainda circulou pelas ruas Tomé de Souza, Conde de Porto Alegre, rua da Figueira e Venâncio Aires, à procura de estojos ou projéteis de arma de fogo. Mas nada foi encontrado. Isso permite uma primeira conclusão certa: a arma utilizada para assassinar Mário Sérgio Gabardo não tinha sido uma pistola, porque essas armas ejetam as cápsulas dos projéteis disparados. Mas, inacreditavelmente, os policiais que foram examinar a cena do crime esqueceram de percorrer a rua FAB (Força Aérea Brasileira), via pública por onde se deu a fuga do veículo dos criminosos. Outro detalhe apurado na cena do crime no dia posterior e que consta no relatório, é citado pela inspetora Lorena. Disse ela que defronte ao imóvel de número 264, casa lindeira à de número 258 (local onde seria realizado o churrasco) e onde parou o Peugeot 307 de Mário, foi encontrado “vidro estilhaçado”, e que “poderia ser do veículo da vítima”. Ora, esse vidro estilhaçado só poderia ser do Peugeot 307 de Mário Sérgio. Haja visto que o vidro da porta lateral esquerda traseira foi fraturado pelo projétil de arma de fogo. Nesse caso, os fragmentos de vidro estilhaçados que estavam na frente da casa de número 264 da rua Tomé de Souza teria sido ocasionado pelo segundo tiro desferido pelo assassino, provavelmente o tiro que matou o jovem empresário. Não há registro nesse relato do inquérito policial dizendo que a autoridade policial tenha recolhido os fragmentos de “vidro estilhaçado” para a posterior perícia e confrontação com os pedaços que permaneceram no interior do Peugeot 307 do empresário assassinado. Desde o primeiríssimo momento da comunicação do crime na delegacia de Polícia Civil, tudo o que se tem é uma coleção de fatos sobre como não se deve investigar um crime. Sabe-se que na noite do crime, conforme declarou posteriormente uma testemunha, ocorreram dois tiros disparados na rua Tomé de Souza. Um disparo de projétil de arma de fogo não alvejou o empresário e nem o automóvel Peugeot 307. Tudo indica que o segundo tiro foi o que acertou a vítima, quando esse engatou a ré no Peugeot 307 e o colocou em marcha a frente (o câmbio do veículo é automático) na rua Tomé de Souza sentido rua Conde de Porto Alegre. Tal afirmação se procede quando se identificou vidro estraçalhado em frente a casa de número 264, imóvel esse que fica ao lado da residência de número 258 onde o jovem empresário havia apontado a frente de seu veículo para a garagem, visando ingressar no interior do imóvel. A inspetora Lorena diz ainda em seu relatório que “compareceram no Hospital N. S. das Graças na busca das roupas da vítima” e que nesse local foram informados que já tinham sido “descartadas”. Mas, como assim? O lixo hospitalar (resíduos de serviços de saúde) é retirado do estabelecimento no dia seguinte ao turno da noite. As roupas que vestiam a vítima, na data de 29 de setembro de 2005, certamente ficaram perdidas dentro do hospital de Canoas. Seria necessário fazer uma busca para identificar onde foram descartadas as roupas de Mário Sérgio. As autoridades de segurança pública em Canoas não cuidaram para que fossem preservadas as vestes do jovem assassinado Mário Sérgio Gabardo. O inquérito da Polícia Civil e o processo de investigação da Policia Federal somam sete volumes. Estamos apenas nas primeiras páginas do Volume-1A do inquérito policial e identificamos sucessivos erros no andamento da investigação do crime que acabou com a vida do jovem empresário Mário Sérgio Gabardo. Poderíamos nesse momento nos questionar: 1) Porque razão o assassino do empresário fez dois disparos com arma posicionada com as duas mãos? Um tiro disparado por esse assassino foi mortal. O crime tratado como assalto, em tese, teve perseguição ao carro da vítima por duas quadras. 2) Porque os criminosos perseguiram a vítima após um tiro certeiro? 3) Porque no final dessa perseguição, após a colisão do carro da vítima com a árvore, o assassino autor do tiro desceu de seu veículo para observar o empresário desfalecido ao volante do Peugeot 307?

O caso Mário Gabardo - Crônica de um assassinato ainda sem solução - Capítulo 3 - Pai do Mário recebe a notícia e dá o seu depoimento

 Inquérito da Polícia Civil sobre a investigação do assassinato de Mário Gabardo - Volume 1-A

Anderson Rafael Walker ouviu barulho na frente da casa de número 258, local do churrasco, onde aguardava pelo amigo Mário Sérgio Gabardo. Ele saiu dessa casa e recebeu a notícia de que o amigo Mário Sérgio corria sério perigo, que tinha sofrido uma “tentativa de assalto”. Nesse momento Anderson tomou a iniciativa de ligar para o telefone do pai de Mário Sérgio. O empresário Sérgio Mário Gabardo foi assim rapidamente notificado de que tinha acontecido um atentado muito grave contra a vida de seu filho Mário Sérgio. Até esse momento, Anderson não havia relatado ao empresário Sérgio Mário Gabardo que o carro Peugeot 307 de seu filho Mário Sérgio tinha batido contra uma árvore na rua Conde de Porto Alegre, quase esquina com a rua da Figueira. Aliás, nesse instante, Anderson ainda nem sabia desses detalhes. Portanto, pelo horário registrado desse telefonema, pode se saber a hora exata em que foi cometido o atentado contra o jovem empresário Mário Sérgio Gabardo. Tão logo Anderson terminou a conversa com Sergio Gabardo, ligou então para o número de um dos telefones celulares de seu amigo Mário Sérgio. Foi então atendido por uma mulher, que havia retirado o aparelho do bolso do jovem empresário. Essa mulher, chamada Rosana de Oliveira Teixeira, é uma das moradoras da rua Conde de Porto Alegre. Mais adiante ela se tornou uma das testemunhas mais importante do caso. Rosana estava em sua casa na noite de 29 de setembro de 2005 e ouviu três disparos de arma de fogo na rua Conde de Porto Alegre, e a seguir novamente mais tiros. Viu também o veículo do Mário em cima da calçada, batido em uma árvore. Então ela se dirigiu até o local, onde ouviu tocar o celular de Mário Sérgio. Ela pegou o aparelho celular que estava no bolso da calça da vítima e atendeu a ligação. Sem saber que era Anderson, essa testemunha disse que o “dono do celular tinha batido o seu carro numa árvore” na rua Conde de Porto Alegre esquina rua da Figueira, e que o mesmo estava inconsciente. Anderson, conhecedor das ruas e avenidas daquele bairro canoense, sabia que estava a apenas duas quadras do acidente. Saiu em disparada, indo em direção a rua Conde de Porto Alegre esquina rua da Figueira. Ao chegar, Anderson viu a cena. O corpo do amigo Mário estava estendido no chão, em seu entorno, dois homens tentavam reanimá-lo. A mulher com quem havia falado instantes antes ao celular com Anderson, passou-lhe então o aparelho telefônico de Mário Sérgio. Anderson ouviu então tocar o segundo celular do amigo Mário e atendeu a ligação. Era o pai de Mário Sérgio. Nesse momento Sérgio Mário Gabardo recebeu a notícia sobre o que havia ocorrido com seu filho. Sérgio Gabardo em seu carro se dirigiu para a rua Conde de Porto Alegre, esquina com a Rua da Figueira. Ele chegou a tempo de acompanhar o atendimento no local a seu filho. A seguir Sergio segue com seu carro o trajeto desenvolvido pela ambulância que rumou para o Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas. Poucos minutos depois, naquela noite de 29 de setembro de 2005, o jovem empresário Mário Sérgio Gabardo acabou falecendo. O depoimento de Sérgio Mário Gabardo, pai de Mário Sérgio, na 2ª Delegacia de Polícia Civil de Canoas, tomado apenas sete dias depois do falecimento de seu filho, revelou importantes detalhes até então desconhecidos pelas autoridades de segurança pública. Sérgio Mário Gabardo na 2ª. Delegacia de Polícia Civil de Canoas, com o objetivo de contribuir com os esclarecimentos dos fatos e a elucidação do crime, e a prisão dos criminosos, conta tudo o que sabe sobre a vida de seu filho. Está tudo no inquérito policial. O empresário gaúcho Sergio Mário Gabardo disse que seu filho tinha 20 anos, trabalhava na Transportadora Gabardo, sendo também sócio na empresa. Mário Sérgio era diretor de frota dos caminhões cegonheiros. A empresa atua no mercado de transporte de veículos novos. Mário estudava na PUC, no curso de Direito, turno da noite, tendo aulas na faculdade de segunda-feira a sexta-feira. Mário tinha por rotina iniciar sua atividade profissional às 8 horas da manhã na TransGabardo. Ele dirigia o seu próprio automóvel, um Peugeot 307. No final do turno diário de trabalho na TransGabardo, Mário ia direto para a faculdade em Porto Alegre, de onde retornava a Canoas por volta das 23 horas. À noite, em casa, Mário Sérgio jantava com a família e conversavam todos sobre assuntos pessoais e profissionais. Mário Sérgio tinha uma namorada desde janeiro de 2003. O pai sabia que seu filho Mário Sérgio mantinha por rotina (nas noites de quintas-feiras) participar de uma confraternização com os amigos. O evento era sempre promovido na casa de número 258 da rua Tomé de Souza, em Canoas. Mário Sérgio trabalhava no setor financeiro na TransGabardo e, no início do ano de 2005, passou a gerenciar a frota dos caminhões cegonheiros. Diga-se de passagem, uma importantíssima área estratégica para a empresa. Os caminhões são monitorados 24 horas, via rastreamento por satélite, equipados com computador de bordo, possuindo relevantes informações sigilosas da TransGabardo. Para controle desses dados, Mário Sérgio utilizava um notebook. Esse equipamento permanecia na empresa quando terminava o seu trabalho diário. No dia seguinte ao assassinato de Mário Sérgio Gabardo, ou seja, na data de 30 de setembro de 2005, ocorreu o furto do notebook que se encontrava em cima de sua mesa de trabalho na empresa Transgabardo. O pai de Mário Sérgio também informou a Polícia Civil que ele e o filho haviam recebido ameaças. Essas ameaças aconteciam em decorrência de Sérgio Gabardo ter formulado denúncias ao Ministério Público Federal, em Porto Alegre, que passou então a investigar a ação do “Cartel dos Cegonheiros”. Essa investigação se desenvolveu também na Polícia Federal. Uma testemunha importante no processo complementou o que disse o pai de Mário Sérgio. Em duas viagens ao interior do Estado do Rio Grande do Sul, o jovem empresário Mário Sérgio Gabardo sofreu dois acidentes com o seu carro, sendo que nas duas oportunidades parecia que seu carro tinha sofrido “fechadas” por outros veículos. E que, em Porto Alegre, duas outras situações deixaram Mário Sérgio preocupado. Uma delas quando Mário Sérgio retornava de suas aulas na PUC, à noite. Seu carro sofreu uma “fechada” de um outro automóvel. A testemunha relatou que, na segunda vez, essa bem próxima da data do assassinato de Mário, exatamente uma semana antes do crime, em um sábado, o jovem empresário e a sua namorada estavam passeando de carro, na estrada que liga a cidade de Porto Alegre ao município de Canoas, pela BR-116, quando repentinamente freou o seu carro. Assustado, Mário explicou a sua namorada que tinha freado porque um outro carro estava seguindo o seu. A mesma testemunha lembrou que, em 2004, Mário Sérgio e sua namorada estiveram na cidade de Gramado, na região da Serra, e que lá jantaram em um restaurante local. O casal sentou-se junto a uma mesa afastada das demais, quando dois homens, que estavam do lado de fora do restaurante, passaram a tirar fotografias de Mário Sérgio e de sua namorada. O jovem empresário Mário, em outra oportunidade, disse a sua namorada que deveriam ter cuidado em relação aos locais que freqüentavam, horários e veículos que poderiam segui-los, pois estavam recebendo ameaças do cartel dos cegonheiros, e que era para ela avisá-lo de qualquer suspeita que tivesse sido identificada. Essas declarações do pai de Mário Sérgio e dessa testemunha em especial, colocaram a Polícia Civil em outra posição, a de que não poderia o assassinato ser tratado apenas como uma simples tentativa de assalto seguida de morte. Há fortíssimos indícios de que não se tratou de uma “tentativa de assalto seguida de morte”. Como os leitores verificarão ao longo desta narrativa, toda amparada nos documentos recolhidos nos dois inquéritos policiais, há imensos buracos a confirmar que os indícios de um atentado deliberadamente preparado são muito fortes. Encerra-se o capítulo de hoje com um intrigante fato: um fato importante a ser considerado, o de que o Ford KA prata usado no atentado contra Mário Sérgio Gabardo nunca foi encontrado “abandonado” após esse crime de 29 de setembro de 2005. O carro tomou um sumiço total, o que é absolutamente anormal.


O caso Mário Gabardo - Crônica de um assassinato ainda sem solução - Capítulo 4 – Depoimentos de testemunhas

O portal Cartel Brasileiro já escreveu os primeiros três capítulos sobre “O caso Mário Gabardo - Crônica de um assassinato ainda sem solução”. Os capítulos foram “O Crime”, o “Registro da ocorrência do crime” e “Pai do Mário recebe a notícia e dá o seu depoimento”. Esses capítulos poderão ser lidos novamente no portal Cartel Brasileiro no link “O Caso Mário Gabardo”. O quarto capítulo denominamos de “Depoimentos das testemunhas”. Para que se pudesse entender o que aconteceu naquela noite, era preciso ler todo o “Volume 1 A” do processo do  inquérito policial. Foram lidas exatamente 200 páginas. A 2a. Delegacia de Policia Civil de Canoas coletou diversos depoimentos. Uma das testemunhas, Valter Leandro dos Santos Elsner, estava na noite do assassinato postado exatamente na esquina da rua Tomé de Souza com a rua Venâncio Aires. Valter Leandro viu o carro do empresário Mário Gabardo dobrar a rua Tomé de Souza, vindo da rua Venâncio Aires. Ele é a última pessoa que se comunicou (por um aceno de mão) com Mário Gabardo. A testemunha Valter Leandro trabalha na Galeteria Piato Belo, que fica na esquina da rua Tomé de Souza com a rua Venância Aires. Exerce ali as funções de manobrista dos veículos de clientes desse restaurante. Valter Leandro viu o carro que perseguia o Peugeot 307 de Mário Sérgio Gabardo. Ele declarou na Policia Civil que foi um Ford KA, de cor prata, que dobrou a esquina onde trabalha. Ele notou que esse Ford KA prata estava seguindo o veículo de Mário. Valter Leandro chegou a cumprimentar o empresário naquela noite, pois o conhecia. Envolvido na sua atividade, acabou em frações de segundos desviando a sua atenção para o trabalho. Em instantes ouviu um disparo de arma de fogo, um tiro. Olhou para a direção desse disparo e viu o Peugeot 307 de Mário Gabardo dar a marcha-a-ré. Valter Leandro confirmou que o carro de Mário estava com a sua frente apontada para o portão da garagem da casa de número 258 da rua Tomé de Souza, local onde seria realizado o churrasco de confraternização. Esse manobrista viu após o tiro, que o carro de Mário Gabardo saiu em disparada pela rua Tomé de Souza em direção a rua Conde de Porto Alegre e que estava sendo seguido pelo Ford KA prata. Essa é a primeira testemunha importante do assassinato de Mário Gabardo. Valter Leandro faz prova de que os assassinos seguiam o carro do empresário Mário Gabardo, pelo menos desde a rua Venâncio Aires. Declara que o Ford KA prata perseguiu o carro do empresário Mário Gabardo pela rua Tomé de Souza até a esquina da rua Conde de Porto Alegre, quando dobraram a esquerda em direção a rua da Figueira. Essa perseguição ao veículo Peugeot 307 de Mário Sérgio Gabardo não é comum em tentativas frustradas de um “assalto a mão armada”. E muito menos ainda, quando o carro do empresário é perseguido pelo veículo dos assassinos, por mais de duas quadras. Isso não é comum em assaltos. Mais estranho ainda é que após essa perseguição, quando do acidente do Peugeot 307 com uma árvore na esquina da rua Conde de Porto Alegre com a rua da Figueira,  o veículo Ford KA prata, parou junto ao carro acidentado, e dele desceu o assassino, o qual se aproximou de Mário Sérgio, observou sua vítima por alguns instantes, e então voltou para o carro e se puseram em fuga. Isso aponta para fortes indícios de execução. Uma outra testemunha, Sergio Natalicio Carvalho, morador na rua FAB (Força Aérea Brasileira), indica a característica do veículo dos assassinos, diz que era um Ford KA de cor prata. Que esse veículo desceu de marcha-a-ré a rua Conde de Porto Alegre, ocasião que fez uma manobra e saiu pela rua FAB em direção a BR 116 (rota de fuga do veículo dos assassinos). Não há qualquer dúvida mais sobre esse carro Ford KA prata. Também se pode confirmar que ocorreu uma perseguição ao veículo do empresário Mário Gabardo. Essa rua FAB fica abaixo da rua da Figueira, em paralelo, muito próximo do local do acidente do Peugeot 307 de Mário Gabardo que ocorreu na rua Conde de Porto Alegre. Um casal de namorados que pretendia jantar no restaurante Galeteria Piato Belo  viu o que aconteceu na noite de 29 de setembro de 2005. Ana Letícia de Mesquita em seu depoimento a 2a. Delegacia de Polícia Civil de Canoas, conta que estava de aniversário naquele dia e que com o namorado pretendiam jantar a noite na Galeteria Piato Belo.  De dentro do carro do namorado, Ana Letícia viu na rua Tomé de Souza que o carro de Mário Gabardo parou em frente a casa de número 258 e que logo em seguida freou o veículo Ford KA. Essa testemunha também viu as características do veículo dos assassinos. Ana Leticia viu que do Ford KA desceu um “rapaz alto, com cerca de 1,80 de altura, magro, de cor branca, vestindo moletom, calça escura (parecia jeans) e boné”. Declarou que esse “rapaz” desceu do Ford KA, de cor prata, com uma arma de cano longo. Que esse assassino ao se dirigir para o veículo de Mário gritava: “Desce do carro, desce do carro”. Ana Letícia ouviu o barulho de dois tiros. Cabe relatar que o veículo em que se encontrava apontava a sua frente para o carro do Mário e dos assassinos. Ela tinha uma visão privilegiada. Mas quando ouviu o primeiro tiro, Ana Letícia se abaixou dentro do carro. A seguir Ana Letícia ouviu o segundo tiro.  Essa testemunha conseguiu memorizar as características do carro dos assassinos. Um Ford KA todo prateado, com película, com aerofólio prata, um carro incrementado. Ana Letícia e o namorado comunicaram por telefone a Brigada Militar, via o número 190. No outro dia é que Ana e o namorado ficaram sabendo que Mário Sérgio Gabardo tinha sido assassinado. Até aqui se tem confirmado que Mário Sérgio Gabardo sofreu um tiro certeiro, pelas costas, que teria sido o segundo disparado por meio de um revólver calibre 38 de cano longo, que esse projétil acabou com a vida do jovem empresário, que ocorreu uma perseguição com muitos outros tiros, que o assassino foi “conferir”  a vítima baleada, e que o veículo Ford Ka prata, todo prata, com película, aerofólio prata, e incrementado com acessórios foi utilizado no crime.


O caso Mário Gabardo - Crônica de um assassinato ainda sem solução - Capítulo 5 – Polícia procura pelo veículo dos assassinos


Os depoimentos de testemunhas dos fatos que envolvem a morte do jovem empresário Mário Sérgio Gabardo, conduzem para um único veículo usado pelos assassinos. Como já comentamos essas testemunhas dizem tratar-se de um Ford KA, de cor prata, com acessórios. Documentos acostados nos autos do processo 008/2.06.0014069-0, volume 1 A, referente ao Inquérito Policia 2826/05, da 2a. Delegacia de Policia de Canoas, revelam o andamento da investigação do assassinato do jovem empresário Mário Sérgio Gabardo. O crime ocorreu em 29 de setembro de 2005 e somente em 21 de outubro de 2005 é que a delegada de Polícia Katia Rheinheimer encaminhou ofício ao diretor do Serviço de Comunicações – SECON/DETEL, em Porto Alegre, requerendo a informação de “algum alerta” na rede de rádio sobre o “furto ou roubo” de um automóvel modelo FORD KA de cor prata ou branco, no período de 26/09/2005 a 29/09/2005. Até essa data de 21 de outubro de 2005, a Policia Civil ainda não havia localizado o veículo dos assassinos de Mário Sérgio Gabardo. O que se conhece na esfera policial é que o veículo usado em crimes são a seguir abandonados pelos criminosos. Não foi o caso no assassinato de Mário Sérgio Gabardo. Vinte e dois (22) dias após o crime é que a Polícia Civil do Rio Grande do Sul foi questionar o serviço de Comunicações para saber se existia a ocorrência de furto ou roubo de um Ford KA prata. Esse documento da 2a. Delegacia de Policia Civil de Canoas foi protocolado em 24/10/2005 no Serviço de Comunicações, somente três dias após ter sido redigido (a data é de 21/10/2005). Um segundo ofício foi expedido em 25/10/2005 pela 2a. Delegacia de Policia Civil para a Delegacia de Pronto Atendimento em São Leopoldo, município esse próximo a Canoas, requerendo a informação de ocorrência de “furto ou roubo” de uma automóvel Ford KA, após as 18h de 29/09/2005. Em 1o. de novembro de 2005 a inspetora Lorena Maria L. Klain, firma uma documento onde declara que em 29/09/2005 foi registrado um roubo de um carro Ford KA e tomado o depoimento de Ligia Maria Michel, proprietária do veículo, conforme o boletim de ocorrência no. 11075/2005/1000911. A pessoa de Ligia Maria Michel, proprietária do veículo Ford KA cor prata, placa IMM-9933 declarou que na noite de 29 de setembro de 2005, por volta das 20h sofreu um assalto na cidade de São Leopoldo. O local do assalto fica a uma quadra de distância da 1a. Delegacia de Polícia de São Leopoldo. Dois indivíduos em uma motocicleta encostaram no automóvel Ford KA prata de Ligia Maria, o qual estava parado na rua Medianeira, em frente ao no. 130, e anunciaram as seguintes palavras: “Isso é um assalto”. O caroneiro da motocicleta desceu com uma arma na mão, de capacete, tomou a chave do Ford KA, entrou no veículo de Lígia Maria, deu a partida e fugiu do local no carro. Esse assaltante, era loiro, media cerca de 1,70 de altura, magro, usava um casaco de couro preto e portava uma pistola cromada. Um detalhe aqui. Pelas palavras de Ligia Maria o bandido anunciou a que se propunha naquela noite. “Isso é um assalto”. Essa vítima de assalto, sob grave ameaça, em nenhum momento levou dois tiros, ou um projétil pelas costas. Bem diferente do que ocorreu na noite do assassinato do empresário Mário Sérgio Gabardo, quando o criminoso disse “desce do carro, desce do carro” e em ato imediato, segurando a arma do crime (um revólver calibre 38), com as duas mãos, como se fosse um experiente atirador e executor, acaba disparando dois tiros em sua vítima. A distância entre as cidades de Canoas e São Leopoldo, e os horários das duas ocorrências, do roubo do Ford KA prata e do assassinato do empresário, poderiam sinalizar que esse carro estivesse envolvido na morte de Mário Sérgio Gabardo. Em 30 de novembro de 2005, isso depois de já ter a Polícia Civil ouvido a Ligia Maria Michel, proprietária do automóvel Ford KA prata IMM-9933, foi novamente contatada para esclarecer se o seu carro tinha acessórios como rodas esportivas, película nos vidros, aerofólio traseiro e para choques prata. Ligia Maria negou que o seu Ford KA , IMM-9933 tivesse esses equipamentos. Esse automóvel Ford KA prata, placa IMM-9933 não foi periciado, fotografado e apresentado as testemunhas do crime do empresário Mario Sérgio Gabardo. O veículo foi descartado do envolvimento no assassinato de Mário Sérgio Gabardo, em 29 de setembro de 2005. O leitor pode acessar todos os capítulos anteriores (1,2,3 e 4) no link “O Caso Mário Gabardo” no portal Cartel Brasileiro.


O caso Mário Gabardo - Crônica de um assassinato ainda sem solução - Capítulo 6 – Polícia fica sem pistas do veículo utilizado pelos assassinos 

No capitulo 5 se teve conhecimento de que Polícia Civil, após a investigação do automóvel Ford KA, cor prata, de placa IMM-9933, acabou descartando-o do envolvimento no assassinato do jovem empresário Mário Sérgio Gabardo. Em 08 de novembro de 2005, uma denúncia anônima, via telefone, indicou o automóvel Ford KA, placa IGX-9056, como envolvido no assassinato de Mário Sérgio Gabardo; A partir da denúncia anônima a 2ª Delegacia de Polícia Civil de Canoas passou a investigar esse segundo veículo. O automóvel Ford KA, cor prata, placa IGX-9056, pertencia na época a senhora Noeli Lourenço, moradora na cidade de Canoas. A Polícia Civil conseguiu apurar que o filho da proprietária do Ford KA cor prata, placa IGX-9056 e um amigo, foram flagrados, na via pública municipal, no interior de um outro veículo, portando dois revólveres. isso por si só sinalizava para a delegada Kátia Rheinheimer de que deveria proceder na "busca e apreensão" do veículo e de armas de fogo nas residências dessas pessoas. Assim, em 10 de novembro de 2005, a delegada Kátia Rheinheimer, encaminhou o ofício nº 2280/2005 ao Juiz de Direito, plantonista no Fórum de Canoas, requerendo um Mandado de Busca e Apreensão para as residências dessas pessoas citadas, a fim de que fossem apreendidos um veículo Ford KA, placa IGX-9056 e armas de fogo. O Poder Judiciário, por meio do Juiz de Direito em substituição eventual, Fábio Koff Junior, despacha, determinando, apreensão, exclusivamente para armas de fogo, para serem cumpridos no horário das 7h às 19h. O cumprimento ao Mandado Judicial foi realizado pelo inspetor Valdir Capellari da Silva, sem que tivesse encontrado qualquer arma de fogo nos endereços que constavam no Mandado Judicial. A Polícia Civil acabou intimando a proprietária do veículo Ford KA, placa IGX-9056, para prestar declarações na 2ª Delegacia em Canoas. Noeli Lourenço compareceu e firmou termo de declarações em 22 de novembro de 2005. Junto a pessoa de Noeli Lourenço compareceu o seu filho Luciano Lourenço Machado. Em nada as suas declarações contribuíram para a elucidação do assassinato do Jovem empresário Mário Sérgio Gabardo. Conforme o processo criminal, o segundo veículo, o Ford KA cor prata, placa IGX-9056, foi submetido ao reconhecimento pelas testemunhas Anderson Rafael Walter, Sérgio Natalício Carvalho e Valter Leandro dos Santos Elsner, que não reconheceram ser esse veículo o Ford KA usado na noite do assassinato de Mário Sérgio Gabardo. A Polícia Civil está agora sem qualquer pista para a identificação do veículo dos assassinos.

O caso Mário Gabardo - Crônica de um assassinato ainda sem solução - Capítulo 7 – Pista Falsa 

Uma ocorrência policial de localização de arma e apreensão de objeto, registrada por meio de Boletim de Atendimento da Brigada Militar, número 818038/2005, desperta a 2ª. Delegacia de Polícia Civil de Canoas, a qual faz a investigação do assassinato do jovem empresário Mário Sérgio Gabardo.

Laudo do Departamento de Criminalística

A senhora Elizabeth Andre, na data de 13 de novembro de 2005, comunica a 2ª. Delegacia de Polícia Civil de Canoas que estava tratando de seus cães, quando encontrou, no pátio de sua casa, um revólver calibre 38, marca Rossi, municiado com 5 cartuchos intactos. A residência de Elizabeth Andre fica localizada nas proximidades da via pública onde ocorreu o assassinato de Mário Sérgio Gabardo. A inspetora de Polícia Lorena Maria Klain, em 22 de novembro de 2005, informa que esteve no local, na rua Dom Pedro II e fotografou  a casa de Elizabeth Andre onde a arma de fogo foi encontrada. O projétil que atingiu o coração de Mário Sérgio Gabardo foi expelida de um revólver calibre 38. Uma pista para a Polícia Civil. Talvez fosse a arma do crime. O revolver de marca Rossi, calibre 38, número de série AA698263, infra-tambor 3078, municiado com 5 cartuchos encontrado no pátio da casa de Elizabeth foi encaminhado para perícia. A delegada de polícia Kátia Rheinheimer oficia então a diretora do Departamento de Criminalista, ofício no. 2327/05, de 23/11/2005, solicitando que fosse respondidos os questionamentos em relação a arma de fogo encontrada no pátio da casa de Elizabeth Andre e  que ora encaminhava para perícia. A delegada Kátia perguntava: “Se a arma encaminhada apresenta condições de funcionamento? Se é possível identificar se o projétil retirado do corpo de Mário Sérgio Gabardo foi expelido pela arma encaminhada?” Ao mesmo tempo a delegada de polícia Kátia envia oficio, de no. 2339/05, ao diretor da Fábrica de Armas Rossi, em São Leopoldo, RS, requerendo informações sobre o revólver calibre 38 apreendido no pátio da casa de Elizabeth André.

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O laudo pericial B-26216/2005 do Departamento de Criminalística informou a 2ª. Delegacia de Polícia Civil de Canoas, que a arma questionada, o revólver calibre especial, Rossi, está em má conservação, apresentava intensa corrosão oxidativa, ocasionada por barro disseminado em sua superfície metálica e mecanismos. Os cinco cartuchos encontravam-se intactos, sem marcas de percussão. “A arma após limpeza encontrava-se em perfeita condição de uso e de funcionamento”. Os cinco cartuchos foram deflagrados e mostraram-se eficazes nos testes de funcionamento com a arma questionada. “Nos exames comparativos, macro e microscópico, realizados entre o projétil retirado do corpo de Mário Sérgio Gabardo e os encontrados junto ao revolver 38 no pátio da casa de Elizabeth Andre, comprovou-se que não foi expelido através do cano da arma ora questionada.” Em outras palavras, o tiro certeiro que matou Mário Sérgio Gabardo não veio do revólver Rossi calibre 38encontrado no pátio da casa de Elizabeth Andre.

laudo fl 3 150x150 O caso Mário Gabardo   Crônica de um assassinato ainda sem solução – Capítulo 7 – Pista falsa

O laudo pericial foi datado em 17/12/2005 e assinado pelos peritos Jorge Alberto Santiago Ferreira e Joseli Pérez Baldasso. A 2ª. Delegacia de Polícia Civil de Canoas procura ainda pela arma de fogo que expeliu o projétil que matou o jovem empresário Mário Sérgio Gabardo. Hoje não há qualquer pista sobre a arma do crime.


O caso Mário Gabardo - Crônica de um assassinato ainda sem solução - Capítulo 8 – Roubo do Notebook com arquivos sigilosos da Transgabardo.
 O empresário Sérgio Mário Gabardo, em seu primeiro depoimento na 2ª. Delegacia de Polícia Civil de Canoas, disse que o seu filho Mário Sérgio Gabardo utilizava um notebook em suas atividades profissionais junto a Transportadora Gabardo. Nesse notebook havia arquivos com informações sigilosas da empresa TransGabardo.

Sala do empresário Mário Sérgio Gabardo onde estava o notebook

O velório de Mário Sérgio Gabardo ocorreu na sexta-feira 30/09/2005. No dia seguinte, sábado (01/10/2005), o empresário Sergio Mário Gabardo compareceu na TransGabardo. Lá, o empresário, após uma reunião com um grupo de funcionários, por volta das 11h da manhã, solicitou que lhe trouxessem o notebook de seu filho Mário Sérgio, o qual estava na sala do diretor de frota da empresa, local de trabalho de Mário Sérgio Gabardo. Funcionários da empresa então constataram que havia desaparecido o notebook de Mário Sérgio. O notebook com arquivos sigilosos e estratégicos da TransGabardo, de uso de Mário Sérgio, sumiu da empresa. A empresa possui sistema de vigilância com câmeras de vídeo que gravam a circulação de entrada e saída de pessoas. Quem roubou o notebook com informações sigilosas da empresa TransGabardo? Por que motivo ocorreu esse roubo de equipamento da empresa e de uso pessoal do Diretor de Frota? É importante novamente comentar que Mário Sérgio Gabardo exercia as funções de Diretor de Frota de caminhões cegonheiros da TransGabardo. Área vital de qualquer empresa que atua com transporte de veículos. Nessa diretoria são traçadas as estratégias para redução de custos e otimização das despesas ligadas diretamente a frota de caminhões cegonheiros. O notebook ficava em cima da mesa de trabalho do Diretor de Frota Mário Sérgio Gabardo, quando esse se retirava da empresa. Por vezes o notebook era colocado em uma gaveta da mesa de trabalho. Sérgio Mário Gabardo fez o registro na Polícia Civil, e inspetores da 2ª. Delegacia estiveram na sede da empresa TransGabardo. Perícia foi realizada no local e entregues a 2ª. Delegacia de Polícia Civil de Canoas o total de sete CD’s com imagens gravadas do dia 30/09/2005.

 sala mario 2 300x207 O caso Mário Gabardo   Crônica de um assassinato ainda sem solução – Capítulo 8   Roubo de notebook com arquivos sigilosos da TransGabardo

Funcionários foram depor na Polícia Civil. Uma funcionária da empresa em seu depoimento a 2ª. Delegacia de Polícia Civil de Canoas disse que na sexta-feira 30/09/2005, pela manhã, por volta das 8h30 foi a sala do Diretor de Frota Mário Sérgio Gabardo, e viu que o equipamento estava em cima da mesa de trabalho do jovem empresário. Na mesma sala do Diretor de Frota estavam dois outros funcionários quando da presença dessa funcionária. O notebook utilizado pelo Mário Sérgio Gabardo foi manuseado por essa funcionária. Os dois funcionários presenciaram a abertura do notebook. Foram lidas mensagens no equipamento. Na sala os três permaneceram por 30 minutos. Quando todos se retiraram da sala o notebook permaneceu em cima da mesa de trabalho de Mário Sérgio Gabardo. Isso ocorreu na sexta-feira entre 8h30 e 9h. Logo a seguir essa funcionária se retirou para o velório de Mário Sérgio. No dia seguinte no sábado ela soube que havia desaparecido o notebook. Um segundo funcionário que prestou declarações a 2ª.Delegacia de Polícia Civil de Canoas disse que na sexta-feira (30/09/2005) entrou na sala do Diretor de Frota Mário Sérgio Gabardo, isso por volta das 10h30 e notou que o notebook não estava em cima da mesa de trabalho. Fez comentários com seus colegas que o notebook não estava na sala do Mário Sérgio. Isso significa que o roubo do notebook aconteceu entre as 9h e 10h30 de sexta-feira 30/09/2005, dia do velório de Mário Sérgio Gabardo. Em 07/11/2005 a delegada de polícia Kátia Rheinheimer encaminhou os sete CD’s com imagens do dia 30/09/2005 gravadas pelo sistema de vigilância instalado na empresa TransGabardo ao Instituto Geral de Perícias do Departamento de Criminalista. Em 13/01/2006, mais de dois meses após a remessa dos CD’s para análise das imagens, o Instituto Geral de Perícias encaminha ofício a 2ª. Delegacia de Polícia de Canoas com a “Reprodução de imagens”, no. 217/2006, com a informação técnica sobre a obtenção, ampliação e tratamento das imagens de vídeo nos CD’s. Diz o documento em questão, do Departamento de Criminalística que “as seqüências de vídeo contidas nos CD’S não apresentam nenhuma imagem suspeita de roubou ou furto de notebook, conforme relatado na solicitação.” Quem teria roubado o notebook com informações sigilosas da empresa Transportadora Gabardo? Até a presente data a Polícia Civil não localizou o notebook do Diretor de Frota Mário Sérgio Gabardo.

Comentário: Crime perfeito não existe, então porque este após mais de 7 anos continua sem solução?! Não vamos deixar cair no esquecimento.
Elizabeth Metynoski