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29/11/2011

Everson Arizoli Peixoto - Quatro anos de dor e descaso




No dia 06 de dezembro de 2011, estará completando quatro anos desde a morte do meu filho Everson, um jovem de apenas 16 anos que teria, pelas suas características pessoais, um futuro maravilhoso. Um jovem com apurado senso esportista. Muito humilde, buscava alcançar seus objetivos usando o seu esforço pessoal. Além disso, a flexibilidade e a sensibilidade estavam sempre presentes em suas ações o que o tornavam diferente dentre tantos outros jovens de mesma idade.
 Mas sua trajetória foi interrompida na noite de 06 de dezembro de 2007, quando estava em companhia de seu “amigo” Rafael Scarsi, um tiro certeiro tirou sua vida. “Rafael ou Giovani”, qual dos dois acionaram o gatilho? Pergunta que não quer calar.
 Descobri que nenhuma dor  pode superar a dor da perda de um filho, especialmente se, como o Everson, encontrar-se em pleno vigor de sua juventude.  Sinto-me "amputada" diante dessa perda,  afinal, é alguém que coloquei no mundo e acompanhei para que se tornasse um homem de bem, um homem honrado. Mas no momento em que eu me preparava para desfrutar disso, quando se preparava para ser um grande goleiro, vem o “amigo” e lhe tira a vida. Tirou, na verdade, boa parte da minha própria vida. Sonhos foram desfeitos, planos ficaram inacabados, projetos de vida precisaram ser esquecidos.
Meu filho Everson, foi assassinado a sangue frio. Os algozes, até hoje continuam livres, quem sabe fazendo novas vítimas.  Passaram-se 48 meses.  Os assassinos foram premiados pelo instituto da Impunidade, consagrado pelo descaso das autoridades responsáveis pela elucidação dos crimes contra a vida humana.
O assassinato do meu filho Everson foi tratado por essas autoridades simplesmente como mais um número na enorme estatística dos crimes insolúveis. Uma conduta irresponsável daqueles que tem o dever, a obrigação constitucional de dar o máximo de si em prol da sociedade, razão pela qual percebem  seus  salários.
 Procurei, por dezenas de vezes,  tentar entender o que aconteceu, junto com as autoridades.  Trataram-me com descaso, talvez por não ser detentor de um grande número de votos, ou porque sou uma cidadã de bem,  porque sou uma Mãe  inconsolável, a julgar pela forma como  transcorreram as investigações, cujo resultado foi desatroso. Ou seja, pouco foi feito para elucidar o caso e até hoje, decorridos 1.485 dias, não sei o que efetivamente ocorreu naquela noite trágica. O sentimento que fica é que essas autoridades têm coisas muito mais importantes a resolver do que buscar a identificação dos assassinos do Everson e levá-los a justiça.
Essas autoridades me devem explicações. Me devem esclarecimentos. Me devem respeito!
Nem preciso dizer que minha vida simplesmente se transformou num imenso abismo. O vazio se fez presente em minha vida. A dor revelou-se presença constante no meu dia a dia. É a dor da saudade! Saudades do Everson, do abraço dele, de ouvi-lo dizer "oi mãe, oi véia", Sabe mãe eu Te amo, você é a melhor mãe do mundo, palavras que jamais voltarei a ouvir, tudo por causa de um louco.
 É a dor de quem consegue ter uma imagem de como seria a vida hoje com a presença do Everson, uma pessoa tão simples, que não tinha desafetos.Tinha somente amor no coração e suas ações eram marcadas pela humildade e pelo bem-servir.
Deus tem me dado forças para seguir em frente.  Agradeço diariamente a Ele por ter-me concedido a bênção de conviver com o Everson os 16 anos, 10 meses em que só me trouxe orgulho.
 Ao contrário do que muitos podem pensar, não desejo vingança. Mas é latente o meu sentimento de Justiça. Devo isso ao Everson. Não descansarei  até que as autoridades competentes cumpram com suas obrigações legais e identifiquem os executores e/ou mandantes que assassinaram meu filho Everson, para que sejam encaminhados à Justiça dos homem  e paguem pelo crime cometido.
É inadmissível e inaceitável que nos anos em que vivemos, com sofisticadas técnicas para se obter informações, que estão à disposição das autoridades constituídas, não seja possível identificar o autor de um assassinato. Isso só acontece quando há um odioso descaso, quem sabe até porque meu filho Everson não tinha familiares nos altos escalões do Governo, ou até mesmo porque não gostava de batuque, umbanda... Caso contrário, certamente os criminosos ou mandantes já estariam nas mãos da Justiça.
Estou aqui cumprindo o meu dever de Mãe. Nada trará meu filho Everson de volta, Eu sei.  Entretanto, afirmo a toda sociedade, ninguém irá calar minha voz, pois estarei cobrando dessas autoridades (em todos os níveis) o fim do descaso, e que cumpram com suas obrigações, identificando quem matou meu filho Everson.
 Farei isso enquanto houver um sopro de vida em meu corpo. É pelo Everson e por outros tantos pais que continuam sem saber quem assassinou seus filhos, que estou decidida a seguir em frente, até que a Justiça seja feita.
Estou, reafirmo, exercendo o meu direito de Mãe, esquecido por essas autoridades, que preferem os holofotes a trabalhar duro para desvendar um crime como este.
Incrivelmente doloroso e lamentável!


Creoni Peixoto, Mãe do Everson.
Quando morrem os pais, perde-se o passado, mas quando morre um filho perde-se o futuro.....



20/11/2011

Como meu filho seria aos 20 anos?



Dia 19 de novembro, aniversário do Giorgio Renan, ele faria 20 anos. Evitei escrever algo ontem, sai com minha irmã e sobrinha para não ter que pensar nisso, mas mesmo assim não consigo deixar de imaginar como meu filho seria e o que estaria fazendo aos 20 anos. Provavelmente já estaria na faculdade cursando veterinária, que era seu sonho, pois ele era um aluno excelente, suas notas em provas eram sempre acima de 9 ou A. De aparência seria alto, moreno com fartos cabelos castanho escuro. E meio de endoidar pensar nisso, mas como mãe é inevitável.

Vi ontem o Carlinhos de Jesus e pensei: - Disso eu entendo! De perda, de dor - uma dor que fica marcada na alma da gente como colocada lá com ferro em brasa. Esta dor não passa, você aprende a conviver com ela, mas sempre vai estar ali presente. Não existem palavras para descrever o que é perder um filho, se esta dor fosse traduzida em silencio, calaria o mundo todo ao mesmo tempo. Se fosse traduzida em respiração, seria como morrer por falta de ar. Você perde o chão, enlouquece literalmente e para voltar a tocar sua vida normalmente é muito difícil, no meu caso levei um ano e meio fora do ar mesmo. Neste tempo não conseguia fazer nada...trabalhar, me concentrar em algo, conviver com pessoas era impossível. Depois, como eu disse, você aprende a conviver com isso....aprende a fingir que esta tudo bem....a Rita Lee tem uma musica que diz: - "Só quem já morreu na fogueira sabe como é ser carvão". - Bem é isso, eu sei o que é ser carvão.....

As datas são terríveis, tipo: aniversários, dia da morte. no meu caso o Natal é a pior delas. Era a época do ano que ele mais gostava, ele amava armar pinheirinho, colocar os enfeites e nós fazíamos isso juntos...então eu procuro ignorar o Natal desde a morte dele, não é fácil acreditem, pois onde você vai tem coisas natalinas. ....Mas tento evitar conviver com o Natal, dói demais passar mais um Natal sem meu filho.....só quem passou por isso é que pode entender do que eu estou falando. 

Elizabeth Metynoski - mãe do Giorgio Renan

Giorgio Renan - * 19/11/91 - 27/05/02*

03/11/2011

Quando morrem os pais, perde-se o passado, mas quando morre um filho perde-se o futuro.....


Neste sábado, dia 29/11/11, está completando 73 meses da morte do meu filho Mário, um jovem de apenas 20 anos, que teria um futuro brilhante pela frente, que teve sua vida ceifada por criminosos impunes até hoje. Mário foi morto na noite de 29 de setembro de 2005 quando se dirigia para um churrasco de confraternização com amigos de infância, como fazia praticamente todas as semanas. Mas, nessa noite, não chegou a encontrar seus amigos, pois foi impedido por um assassino cruel e desalmado, talvez a mando de alguém não menos cruel, frio e calculista.
São 2.190 dias de muita saudade e uma certeza: jamais vou receber um abraço do meu filho Mário de novo. E uma dor imensurável de um pai que perdeu o filho de maneira tão abrupta. Este sofrimento me atinge diariamente e me faz chorar de dor e de saudade.  E até hoje, apesar das centenas, milhares de apelos encaminhados às ditas autoridades responsáveis, não sei o por quê meu filho Mário foi assassinado.
Nesse tempo todo, nada me dizem essas autoridades. Não possuem nenhum argumento capaz de me convencer a respeito do que efetivamente aconteceu naquela trágica e inesquecível noite. A respeito de quem assassinou meu filho Mário ou a respeito de quem foi o mandante desse crime.
E o que dizer da Polícia da cidade de Canoas, onde aconteceu este homicídio inexplicável? Sucateada, sem as mínimas condições humanas, técnicas e de infra-estrutura para uma investigação séria e a contento. Além, é claro da ausência completa de vontade política, numa demonstração de que está a andar acéfala. O mesmo ocorre, lamentavelmente, com o Ministério Público, que ostenta o título de o guardião da sociedade e que tem, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), garantida a sua prerrogativa constitucional de investigação.
É impossível se conviver com tamanho descaso. Passaram, nesse período, dois prefeitos pela cidade (Canoas) onde ocorreu o homicídio. Não vi qualquer manifestação de cobrança das autoridades competentes. A imagem da cidade está bem abaixo dos interesse eleitoreiros. É melhor calar, porque rende mais votos, do que cobrar um trabalho sério da Polícia local.
Todos nós sabemos que quando essas autoridades querem, quando imbuídas de vontade política e técnica, descobrem os assassinos para encaminhá-los ás barras da Justiça. Exemplos não nos faltam. O caso do assassinato da juíza carioca é a mais pura e inequívoca comprovação de que é possível sim, se chegar aos verdadeiros assassinos e aos seus mandantes.
Essa é uma prova cabal da eficiência da Polícia quando exigida, quando há pressão política e dos meios de comunicação, aliado ao prestígio das vítimas ou de seus familiares. Talvez isso tenha faltado na elucidação do assassinato do meu filho Mário. Fosse eu um influente político ou com parentesco de autoridade da área da segurança pública, o resultado da investigação teria sido outro. Mas sou apenas e tão somente um cidadão de bem, que paga regiamente os seus impostos, para ter o mais absoluto e hediondo descaso das autoridades como recompensa.
Enquanto cumpro com minhas obrigações civis, os assassinos e/ou mandantes do assassinato do meu filho Mário são recompensados com o instituto da impunidade.
Lamentável!
Inaceitável!
Entendo, nesse tempo todo, que o descaso é uma arma que essas autoridades utilizam como uma forma de tentar calar-me.
Jamais conseguirão, porque enquanto houver um sopro de vida em meu corpo e minha mente, estarei bradando por Justiça.
Quero sim, seja em que tempo for, que os assassinos do meu filho Mário e/ou os mandantes sejam identificados e punidos legalmente pelo bárbaro crime que cometeram. Bárbaro porque o meu filho Mário era um jovem de bem, não tinha inimizades, não devia nada a ninguém. Foi assim que o criei e foi assim que ele seguiu minhas orientações.
Nunca conseguirão me impedir, como pai, de saber o que realmente aconteceu naquela noite de 29 de setembro de 2005. Essas autoridades me devem isso. É também para isso, que recebem seus gordos salários, pagos com os impostos pagos pelos contribuintes. E eu sou um deles.
Sergio Gabardo - Pai do Mário

A gente se acostuma, mas não devia... (Marina Collasanti)



A gente se acostuma a morar em apartamento dos fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. 


E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. 


E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir as cortinas e a acender a luz mais cedo. 


E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. 


A gente se acostuma a acordar sobressaltada porque está na hora. 


A tomar café correndo porque está atrasado. 


A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo na viagem. 


A comer qualquer coisa porque não dá tempo para almoçar. 


A sair do trabalho porque já é noite. 


A dormir pesado sem ter vivido o dia... 


A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: "hoje não posso ir"...


A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. 


A ser ignorado quando mais precisava ser visto... 


A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e necessita. 


A ganhar menos do que precisa e a fazer fila para pagar. 


A pagar muito mais do que as coisas valem. 


A saber que cada vez pagará mais e a procurar mais trabalho para ganhar mais dinheiro para como pagar as contas.


A gente se acostuma à poluição. 


À luz artificial.


Às bactérias da água.


À contaminação do mar. 


À morte lenta dos rios. 


A não ouvir passarinhos, a não ter galo da madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta. 


A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando de uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. 


Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. 


Se a praia está contaminada, a gente molha só o pé. 


Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. 


E, se no fim de semana não há muito a fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre o sono atrasado. 


A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que de tanto se acostumar, se perde de si mesma.  


Vire a mesa! !